Carteira de trabalho é porta de entrada para crédito


Emprego formal em alta faz com que trabalhador se sinta mais confiante para fazer compras a prazo. Do outro lado, comércio e bancos correm menos risco de calote ao concederem financiamentos e empréstimos

Conseguir um emprego de auxiliar administrativo com carteira assinada há oito meses foi um marco para Larissa Fontanezi, de 20 anos. A partir daí, ela começou a fazer compras a prazo. Nesse período, adquiriu celular e secador de cabelo. Tudo parcelado em até seis vezes no carnê. Antes, as compras eram sempre feitas no nome da mãe, a professora Rosana Fontanezi. "Ando até com o holerite na bolsa para comprovar minha renda", conta Larissa.

A auxiliar faz parte das 30 milhões de pessoas que compraram a prazo pela primeira vez nos últimos quatro anos, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), com base no total de CPFs consultados pela primeira vez para a aprovação de uma venda a prazo. E um dos responsáveis pelo bom indicador é o emprego. É como se a carteira assinada fosse o passaporte para o crédito.

O número representa uma média de 7,5 milhões de novos compradores por ano no comércio brasileiro. E para 2011, a previsão do economista-chefe da ACSP, Marcel Solimeo, é que entre dois e três milhões de pessoas passem a comprar a prazo. Um dos fatores que influenciaram positivamente a entrada de novos consumidores no mercado foi o aumento do número de trabalhadores formais.

A criação de empregos foi recorde em 2010 com a abertura de 2,5 millhões de vagas com carteira assinada. Este ano, entre janeiro e maio já são 1,171 milhão de postos. E o mercado de trabalho segue aquecido com taxa de desemprego sem sobressaltos (leia nesta página sobre o índice do IBGE).

Com a carteira assinada, o trabalhador se sente mais confiante para comprar. Para o vice-presidente da Associação Naciona dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, o registro na carteira profissional funciona como uma garantia para instituição financeira conceder crédito. "A carteira assinada é o motor propulsor de boa vontade de pagamento. Ela funciona como um sinal de que a pessoa está envolvida num compromisso de trabalho, com mais responsabilidade de pagar o financiamento e manter seu nome para não se prejudicar", completa o professor Silvio Paixão, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

O professor de Varejo (Provar/FIA) e diretor da Felisono Consultores Associados, Nelson Beltrame, expplica que as lojas concedem o crédito a partir de uma pré-análise. É avaliado o potencial de risco do consumidor, e ter um emprego formal é um dos fatores que minimizam esse risco. Já ter o nome sujo nos cadastros como SCPC e Serasa é um fator obrigatoriamente negativo.

No começo do mês, foi sancionada a lei que cria o cadastro positivo, uma lista contendo os nomes de bons pagadores que as empresas poderão consultar ao liberar crédito. A expectativa é que a ferramenta resulte em juros menores e prazos maiores para quem paga suas contas em dia. Outras formas Mas ter carteira assinada não é requisito fundamental para conseguir crédito. O trabalhador que não tem um emprego formal pode apresenta comprovante de pagamento do cartão de crédito e cheque especial como referência.

Além do emprego em alta, Solimeo também aponta o alongamento dos prazos e consequente queda no valor das prestações como outro facilitador da compra a prazo. Porém, o alerta é justamente com o valor da prestação. "O consumidor só avalia se a parcela cabe no bolso. Ele também deve prestar atenção nos juros. Infelizmente não é isso que acontece", diz Oliveira, da Anefac.

Taxa de desemprego fica estável em maio
A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País apresentou estabilidade em maio, aos 6,4%, mesma variação registrada em abril. É o maior índice para o mês de maio desde o início da série histórica da pesquisa, em março de 2002.
O rendimento médio real habitual dos ocupados no País foi de R$ 1.566,70 em maio, também o mais alto para o mês desde 2002.
O nível da ocupação - proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa - foi estimado em 53,6% no total das seis regiões da pesquisa. Houve estabilidade em relação ao nível registrado em abril, mas a ocupação teve uma elevação de 0,6 ponto percentual na comparação com maio do ano passado.
Em relação a abril, todasas regiões mantiveram estabilidade em maio no nível de ocupação, com exceção de Belo Horizonte, onde o indicador passou de 56,7% em abril para 57,6% em maio.
"Há um crescimento da população ocupada e nós percebemos que esse avanço é positivo. Embora seja estável, ele está sempre devagar indo à frente. Está crescendo gradativamente de janeiro pra cá", afirmou o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. "O mercado de trabalho está aumentando acima do crescimento vegetativo. Está entrando mais gente no mercado de trabalho do que está nascendo", completou o gerente. - Daniela Amorim
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