Inadimplência é a menor desde junho de 2005


A pouco menos de dois meses do Natal, o índice de inadimplência das pessoas físicas recuou para 6,04% em setembro, menor nível desde junho de 2005, quando o indicador chegou a 6,03%. Apesar dos gastos sob controle, os brasileiros precisam de atenção para não se endividar além da capacidade e perder as rédeas do orçamento. Mario Amigo, professor do MBA da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras(Fipecafi), afirma que inadimplência em baixa é indicativo de possível queda nos juros cobrados pelos bancos, o que deixa os financiamentos mais baratos. “Como as instituições se sentem mais seguras sobre receber o que emprestaram, diminuem o componente do risco nas taxas”, diz. Amigo afirma que com maior fôlego para honrar as dívidas, o perigo é que os consumidores gastem além do que suas rendas permitem e acabem enfrentando problemas. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a renda média do trabalhador com carteira assinada na região metropolitana de São Paulo cresceu quase 35% em cinco anos. O valor passou de R$ 1.122,50 em agosto de 2005 para R$ 1.512,40 em agosto deste ano, dado mais recente. Na avaliação do professor, a parcela de gastos com compras e financiamentos não deve exceder 35% da renda líquida familiar. “O ideal seriam 30%”, diz. Ele sugere, ainda, que mesmo com maior poder de compra, as pessoas pensem em guardar algo entre 10% e 15% dos rendimentos mensais como poupança. Rubens Nogueira Filho, presidente da Classic Corretora de Seguros, afirma que parte da queda da inadimplência é fruto do seguro prestamista oferecido por redes varejistas. Esse seguro garante o pagamento da dívida em caso de desemprego do consumidor. Nelson Beltrame, professor do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar-Fia), afirma que uma inadimplência de menor grau pode levar à redução dos preços. Ele afirma que todo o lojista inclui nos preços das mercadorias um porcentual de proteção ao calote e, se o risco cai, pode haver redução do que é cobrado do consumidor. Beltrami acredita em um aumento de demanda por conta do fim do ano, mas descarta aumentos generalizados. George Ohanian, professor de Finanças do Insper, acredita que a taxa de inadimplência deva se estabilizar próxima do nível atual. A mesma opinião tem Ricardo Torres, professor da Brazilian Business School (BBS). Ele lembra que se, no entanto, o consumo provocar a falta de produto, os preços aumentam e causam reflexo na inflação.
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